Reflexos da pandemia da Covid-19 nas operadoras filantrópicas serão tema de debate

Os impactos econômico-financeiros nas Operadoras e Prestadores serão tema de debate no 1º Encontro Virtual da CMB. Um dos participantes do painel é o presidente da Operadora Filantrópica São Cristovão Saúde, Valdir Ventura. Confira sua entrevista:

 

1.Quais os principais reflexos da pandemia da Covid-19 nas operadoras filantrópicas de saúde?

A despeito da diminuição geral de beneficiários na saúde suplementar no período da pandemia (-253 mil beneficiários entre fevereiro/2020 a julho/2020, puxada por planos coletivos empresariais). Quando avaliamos o universo de operadoras filantrópicas, houve um pequeno acréscimo de vidas no período entre fevereiro à julho (3.239). De forma de reducionista, houve um aumento de Fidelização de beneficiários no Grupo São Cristóvão e de procura de novos beneficiários, elevando o número de vidas no período em aproximadamente 12%. A pandemia gerou uma maior conscientização das pessoas e aumento da necessidade de possuir uma segurança em atendimentos de saúde. As pessoas entenderam que precisam contar com instituições de Qualidade e centralizada no cuidado ao paciente acima de tudo, algo que o Grupo São Cristóvão sempre prezou e vem, a cada dia, aprimorando por meio de implementação de novos projetos pautados em tecnologia, processos e qualidade. Outro ponto percebido foi que, a despeito da grande preocupação de inadimplência, até o momento não houve um aumento neste índice, o que indica novamente a priorização das pessoas em contar com um plano de saúde.

2.Quais a práticas adotadas pelo Grupo São Cristóvão para manter o equilíbrio diante de um ano atribulado? Poderia dar dicas para outras operadoras?

Desde o início das notícias de uma potencial pandemia, o Grupo São Cristóvão já iniciou um comitê de gestão de crise, utilizando métodos estatísticos para previsão de internações de beneficiários e benchmarking com monitoramento internacional a fim de mapear previamente os principais impactos nos países em que os primeiros casos ocorreram. Com isso, houve um redirecionamento de esforços focados primeiramente na garantia do atendimento ao paciente, com transformação de leitos de internação aumentando a capacidade instalada, estabelecimento de protocolos assistenciais e de segurança e alteração de processos e fluxos do paciente, screening da carteira com comunicação tempestiva aos beneficiários estimulando uma identificação precoce dos sintomas, aquisição de novos equipamentos, renegociação de contratos para redirecionamento de recursos financeiros, aquisição de tecnologias com cunho assistencial, reforço no quadro de colaboradores devido ao número da força e trabalho contaminada pela COVID 19 em outros países, enfim, foram diversas lições aprendidas e é possível afirmar com segurança que o Grupo São Cristóvão teve ótimos resultados a despeito do imenso desafio enfrentado.

3.Para 2021, quais as expectativas para o setor?

De forma geral, o setor de saúde, que já estava em transformação, se viu obrigado a implementar diversas estratégias que há tempos eram faladas, mas pouco implementadas. Alguns pontos práticos que podemos verificar é o aumento de negociações de novos modelos de remuneração, a implementação da telemedicina (algo que dificilmente terá uma reversão), o aumento da conscientização de utilização da saúde e novos modelos de atuação conjunta entre diversos players de mercado, como hospitais atuando em conjunto em empresas de tecnologia, farmacêuticas atuando em conjunto com operadoras de saúde, entre outras. O mercado tende também a se consolidar ainda mais, tendo em vista que grandes operadoras tiveram uma redução de sinistralidade e estão com dinheiro em caixa para novas aquisições. Algo extremamente positivo neste amadurecimento do mercado é a centralização no paciente e maior foco na visão do cliente. Além disso, o Brasil percebeu que os Hospitais Filantrópicos e Santas Casas estavam ali, ao lado das pessoas que precisavam e, as empresas também, principalmente no interior do Brasil. Portanto, ter uma operadora ligada a uma Santa Casa é sinônimo de algo familiar, próximo, e ajudar a Santa Casa da sua região e por que não o Plano de Saúde deste Filantrópico.

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